quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Memórias de um defunto traído


Quando tu fostes rosa
Eu fui teu beija-flor,
Quando fostes melodia
Eu fui o teu cantor,
Quando chorastes sozinha
Também eu senti dor,
Nas tuas noites ardentes
Meu corpo também queimou,
Quando sentistes frio
Meu corpo te esquentou,
Quando o escuro te escondia
Minha luz te clareou,
E nos teus dias de glória
Testemunhei o teu esplendor,
Para ti dei minha alma,
Dei meu sangue, meu calor,
Fui para ti um eunuco,
Um escudo protetor,
E agora que eu morri
Você corre e sorri
Nos braços de outro amor?
As palavras que me dizia,
Dizes a ele com furor,
E até deixaste o pobre coitado
Beber todo o meu licor?
E na cama ele te toma
Com ainda mais furor,
E tu, nobre sem vergonha,
Entrega-te a ele com desejo,
Pois perdeste todo o pejo,
E esqueceste que a tua vida
Ficou presa em um caixão,
Mas agora a quero de volta
Com juros e correção,
Mesmo sórdida e pecaminosa
E mergulhada na podridão,
Quero de volta a minha vida
Para camuflar a ferida
Aberta em meu coração.


Inicialmente, gostaria de agradecer aos vários selos que tenho recebido. Fico feliz que meu blog esteja agrandando a tantas pessoas. Aos poucos, irei publicando todos os selos recebidos.
O selo abaixo eu recebi do blog http://cantodoescritor.blogspot.com/. O blog é muito interessante, vale a pena conferir...
E os cinco blogs que eu indico são:

http://sempreargaios.blogspot.com/
http://nameiuca.blogspot.com/
http://devaneiosdeamelie.blogspot.com/
http://soseforinesquecivel.blogspot.com/
http://mersonreis.blogspot.com/


O selo "Gostei do que li" visa incentivar blogs/sites de conteúdo originais/pessoais, que tragam conhecimento ou que simplesmente divulguem a arte da escrita, gráficas, entre outras. A ideia principal é estimular a escrita e a leitura de blogs que se encaixam neste modelo.

Para outros blogs premiados com a idéia: coloque todos os ganhadores. E por favor sigam as regras:
1. Exiba a imagem do selo “Gostei do que li” que você acabou de ganhar;
2. Poste o link do blog que te indicou;
3. Indique 5 blogs/sites de sua preferência;
4. Avise seus indicados;
5. Publique as regras e atuais ganhadores;
6. Confime o recebimento do selo, avise quem lhe deu, poste todos os atuais ganhadores, deixe um e-mail para contato e avise sobre todos os seus indicados em "Gostei do que li."

Ns próximas postagens irei publicando os demais, mas, desde já, gostaría de agradecer à Daniela do blog " um universo de idéias", ao Dr. Emerson do blog "dr. emerson reis" e à Bia do blog " paradoxal".

Abraços a todos! (:

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Bahia de São Salvador


Na cidade da Baía de Todos os Santos, todo mundo é de Oxum. Terra do verão sem fim e do sol castigando o juízo até o corpo bronzear. Sol que é festejado no Porto da Barra diariamente, com a pompa que todo rei merece.
Terra da alegria e do riso fácil. Das ladeiras intermináveis e das curvas morenas. Terra onde as cores se misturam. Onde no ardor dos corpos, branco e preto se confundem. Aqui todas as línguas são faladas. Terra de poliglotas, onde a malandragem dá o tempero às relações, tal como a pimenta ao acarajé.
Lugar onde a fé se eleva. Terra de um só Deus, mas de vários pontos de vista. Cidade do baiano. Do soteropolitano solteiro em Salvador. Terra do axé e de novos baianos. Da malemolência de Dorival e de Caetano. Terra de artistas. Terra de esquinas.
Lugar de gente que trabalha duro, que discute, que refuta. Terra da roda de amigos e de praias pra todo gosto. Terra dos tambores coloridos e do gingado faceiro da capoeira. Lar do Senhor do Bonfim e de Yemanjá. Cidade de ventos tranqüilos e dos coqueiros de Itapoã. Terra do antes e depois de fevereiro. Que se despe dos pudores e se enfeita para o carnaval. Terra da mulata que sacode as tranças e da preta que requebra os murundus. Lugar de protuberâncias e de reticências...
E onde quer que eu esteja nesse mundão de meu Deus, sempre terei o meu porto seguro. O meu cais de águas límpidas. Minha cidade de São Salvador.

“ I don´t want to stay here, I want to go back to Bahia.” ( Paulo Diniz)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Quebra-cabeça



Peça por peça
Vou tentando
Montar o que a vida
Andou desmontando.

Peça por peça
Vou desfazendo
Aquilo que a vida
Andou me aprontando.

Peça por peça
Fui construindo
As várias imagens
Que andei usando.

Peça por peça
Fui amontoando
As velhas imagens
Que foram estragando.

Peça por peça
Fui tentando mostrar
Que eu queria sorrir
Quando estava chorando.
Que eu queria sentir
O que estava guardando.
Que eu queria escrever
O que estava apagando.

Peça por peça
Uma a uma encaixando,
Usando algumas,
Outras descartando.
Pois na vida temos que abrir mão
De momentos, de sonhos.
O que vai são apenas peças,
O que fica são apenas lembranças,
Que remontam em nossa memória
O quebra-cabeça de nossas andanças.

P.S.: gostaria de agradecer a todos os que têm contribuído com o blog, seja simplesmente lendo os textos, seja escrevendo belas palavras... Ontem comemoramos a marca dos 1.000 acessos. Há cerca de um mês e meio atrás, inspirado pela iniciativa de um amigo (jotapê), resolvi também criar um blog para compartilhar minhas palavras e criar uma desculpa para voltar a escrever ( em razão do término da faculdade e a correria do início da carreira jurídica, estava escrevedo muito pouco). Enfim, muito mais do que isso, o blog têm me proporcionado muitos momentos de alegria, pois, além dos elogios, das palavras de carinho e das amizades, tenho tido gratas surpresas ao visitar outros blogs por esse "mundo de pontas" da internet. Tenham a certeza que eu me esforçarei para que vocês tenham sempre uma boa leitura ao visitar o blog e, parafraseando a atriz Valéria na peça "Ematomablues" " Para aqueles que gostaram, recomendem aos amigos. E, para os que não gostaram, recomendem aos inimigos". Sejam sempre muito bem vindos(as)! Grande abraço

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O caçador de sóis


Eu procuro em todos os lugares a luz mais brilhante. Procuro em cada abismo de mim algo que doure minha pálida alma. Sempre que avisto um vulto no horizonte, corro para ver se encontro o que tanto busco. Sou um caçador de sóis. Minha existência é inteiramente para essa exaustiva busca. Procuro no mais distante de cada olhar essa forte luz que me resgate da penumbra. Viajo pelo mundo. Em cada canto descubro novas cores. Espere, olhe ali adiante. Que fluorescência é aquela que me ofusca os olhos? Está vendo? Chegue mais perto. E agora? Cheguei a pensar que finalmente havia encontrado (me). Amarga ilusão, o que avistamos nada mais era que os neons dos cabarés da Rue de Berne. E assim segui minha sina, caçando sóis por toda parte. Até que finalmente, após mais uma noite de trégua, acordei com um par de asas velozes e precisas como as de um condor. Voei, voei e fui chegando bem pertinho de um sol. Finalmente tudo começou a fazer sentido. Minha vida passou diante de meus olhos como um filme e pensei comigo: “ cada ser esconde no mais profundo de si os seus "eus". Alguns vão mostrando aos poucos, outros escancaram suas pseudo aparências, acreditando que assim estarão sendo verdadeiros. Quanta tolice! Ninguém é por completo e ninguém pode se esconder para sempre. Alguns resguardam-se em um mundo indefectível e mergulham no doce abismo da ilusão. Outros querem fumar todos os cigarros do mundo e abrirem as pernas - ou os braços - para o desconhecido. Na verdade, a única certeza é que todos eles serão um eterno porvir.” De repente, tomado por um calor descomunal, senti minha carne se esvairindo como uma madeira tornada carvão. Vivi em uma constante busca por respostas ininteligíveis e, a cada questionamento, descobri que só existem meias verdades. Por isso eu te digo com a nobreza de um desafortunado: não sejas caçador de sóis, pois, se procurares por muito tempo, acabarás encontrando o que desejas, mas verás que tua frágil armadura não estava pronta para suportar tamanha adversidade.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Biografias Horizontais III ( A Miragem)


Amanhece. Abro os olhos e vejo repousado ao meu lado um corpo de mulher. Descoberta de suas vestes como um campo tornado deserto. Desprotegida em sua nudez como as falésias devoradas pelas ondas. Pelo teto solar do hotel vejo as últimas estrelas desabarem em massa. Suicida-se uma lágrima que desemboca no indescritível. Não consigo me lembrar de mais nada. Apenas de ter me cegado com o brilho das estrelas do céu, da sua boca. Minhas mãos não conseguem se mover.Se tocá-la, certamente descobrirei que tudo transcorreu no onírico. Nos minutos sucedentes, meu tempo petrificou. Quando a posição desconfortavelmente inerte começou a formigar meu corpo, resolvi atestar a veracidade do oásis. Minha sede começou a se tornar insaciável em meio àquele deserto de dunas acentuadas em curvas. Ao mais calmo toque das minhas mãos, ela despertou. Ficou espantada ao ver que tinha amanhecido. Levantou-se e se vestiu apressada. Antes de abrir a porta para até outro dia quem sabe, ela sorriu. As estrelas estavam ofuscadas pelos raios de sol. Logo após, retornei à órbita terrestre e saí do quarto com a carteira mais leve.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Meus Dias Engarrafados



"Soprava um vento gelado contra os vidros da janela do seu automóvel, fazendo embaçar a visão, distorcer a realidade. Nada conseguia se mover em quilômetros no abarrotar da rodovia. "
(Mulher de São Jorge - Taciano J. Mattos)

O despertador toca desafinado. Acordo aturdido com o barulho e levanto da cama. São 4:30h da madruga. Escovo os dentes e tomo uma ducha bem quente. Às 5:00 já consigo abrir os dois olhos. Tomo um improvisado café da manhã e vou para o trabalho. Saio da garagem e inicio a jornada exaustiva. Logo nos primeiros minutos já consigo observar uma fileira de carros emparelhados como peças de dominó. A impressão que tenho é que se o da frente desmontar todos os demais cairão com ele. E não é que a metáfora é verdadeira. Acidente na Av. Bonocô deixa dois mortos. Ligo o rádio. No intervalo das músicas, notícias fresquinhas de mais um dia que começa a todo vapor. Resumo da ópera: chacina nas Malvinas, assalto a banco na Pituba e um pai acusado de violentar a filha de 3 anos foi convidado ao suicídio por seus companheiros de cela. Ufa! Desligo o rádio. Meu mp3 de Jazz combina mais com a ocasião. Enquanto o carro se arrasta como um jabuti entrevado, o vidro dianteiro já foi lavado três vezes. “Ô tio, na moral aí tio, só uma moedinha”. No auge dos meus 22 anos, me sinto realmente um “tio” nessas circunstâncias. Preciso repor meu estoque de moedas. Há muito tempo não me questiono mais sobre o destino que elas terão. Comigo também não seriam lá grande coisa. Mesmo abafado pelos vidros fechados, ainda se escuta o som esquizofrênico das buzinas. Adoro ficar observando as pessoas dos carros ao lado. E o melhor é a alta rotatividade. Dá até para paquerar. Já dizia um velho e sábio amigo que se o inimigo é irremediável, ele deve ser seu melhor aliado. Pois bem. Aprendi a gostar dos engarrafamentos. Agora falta eu achar uma forma de me aliar ao meu outro grande inimigo: o despertador que me acorda as 4:30 da madruga. Vou te contar que está difícil viu!...

PS.: gostaria que vocês apresentassem sugestões para que o personagem faça as pazes com seu despertador ( ( coloquei na 1ª pessoa, mas eu - graças a Deus não tenho que acordar 4:30 h)...

abraços e boa leitura

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Questionamentos


Escuta:eu te deixo ser. Deixa-me ser,então."
Clarice Lispecktor

Não é fácil ser quem sou. Para você é fácil ser quem é? Tenho medos como qualquer outro. Tenho planos como qualquer outra. Se bem que normalmente não sonho. Minha realidade não me permite devaneios. Penso que todos sonham com flores azuis e vermelhos intensos, com uma queda no abismo ou um voo pelas falésias. Você sonha? Pelas estradas sigo meu destino. Pistas sinuosas, curvas perigosas. Já derrapei inúmeras vezes. Certa vez até peguei a contramão. Pensando bem... foram tantas as vezes. Não gosto de ser quem eu sou. Você gosta de ser quem é? Se bem que não posso reclamar. O vento costuma soprar a meu favor. Tempestades intensas me assustam. Mas é na calmaria que me entrego ao desespero. Meu porto seguro é o mar. Ancorado no cais não tenho como fugir de mim mesmo. Sou guiado ao sabor das correntes. O acaso é meu doce lar. Minhas luas têm ângulos diferentes. Em cada canto, encontro alguém para amar. É difícil entender o meu mundo. Dessa forma peço que me explique o seu. Parei a muito tempo de me fazer perguntas difíceis. Pensei que seria um eterno questionador. Grande bobagem. Quem muito pergunta, descobre que está cheio de dúvidas. E eu adoro a ilusão de que tudo sei, ao menos sobre mim. Mas, lá no fundo, sei que não sei de quase nada. Você sabe? Se não sabe por que tenta me dizer o tempo todo? Nem sei o motivo de escrever tudo isso. Sinto-me mais tranqüilo. Enfrentamos esfinges a todos os momentos. “ Decifra-me ou devoro-te”. Meus códigos são tão complexos que nem eu mesmo os decifraria. Mas têm tantas pessoas empenhadas na tarefa de descobrirem quem sou, que chego a pensar que talvez elas já saibam quem são. Senão, se não, pobres criaturas. Serão devoradas pelo tempo e verão sua existência reduzida a uma busca sem o menor sentido.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Biografias Horizontais II


Sou puta! Respondia sem pestanejar quando questionada sobre sua profissão. Isso não era nenhuma vergonha. Ela jamais roubou. Baseados eram raridades que serviam apenas para amenizar aparências hostis. O pior em trabalhar com sexo é que pessoas bonitas geralmente o conseguem de graça. Não era apenas o dinheiro que a estimulava, mas também o prazer. Um orgasmo múltiplo era sua remuneração mais desejada. Ela não era ninfomaníaca, simplesmente gostava de se sentir preenchida. Para ela, sua profissão era a mais completa de todas. Trabalhava, literalmente, com prazer. Estabelecia sua própria jornada e os honorários não eram ruins. Fazia faculdade de Direito pela manhã e, o que por sinal ela adorava, podia fazer um amplo trabalho social. Afinal de contas, indivíduos sem sexo ficam extremamente depressivos e/ ou agressivos. Ela não oferecia só sexo. Havia um poderoso divã no meio de suas pernas. Ela abria o óbvio e os homens escancaravam o mais oculto de seus sentimentos, desejos e frustrações. O sorriso dos clientes a agradava muito. Era o sinal de um trabalho bem feito e de mais um dever comprido.

“ trouxeram um trem carregado de putas inverossímeis, fêmeas babilônicas adestradas com recursos imemoriais e providas de toda espécie de ungüentos e dispositivos para estimular os inertes, despertar os tímidos, saiar os vorazes, exaltar os modestos, desenganar os múltiplos e corrigir os solitários...” ( Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marques).

P.S.: Esse texto é mais uma das biografias horizontais que, conforme prometido, irei publicando aos poucos no blog. Lembrando que as obras encontram-se devidamente registradas, sendo que qualquer cópia ou reprodução dependerá de prévia autorização do autor, no caso, eu... hehe!

Muito obrigado a todos os que têm me enviado scraps no Orkut, e-mails ou deixado postagens aqui no blog. Fico muito feliz que vocês estejam gostando e espero sempre contribuir para que todos tenham uma boa leitura e, conto também com a colaboração de todos. Postem aqui suas crônicas, suas poesias, seus desabafos, suas histórias, enfim, escrevam... faz bem para a mente e para a alma. Quem preferir pode enviar o texto para meu e-mail que eu publicarei com o maior prazer e, claro, identificarei devidamente o respectivo autor.
Abraços!

Roberto Ney O. Araújo Júnior
e-mail: robertoney@gmail.com

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

As borboletas de Vênus


Tendo em vista os princípios da lei da física, as borboletas de Vênus desafiam a lei da gravidade. Mesmo com suas asas pesadas, conseguem flutuar como um condor em vôo rasante. Mesmo com as cores da primavera, as borboletas de Vênus irradiam beleza. Não uma beleza que ofusca, mas uma beleza que se infere. Elas são como as entrelinhas de Clarice Lispector. As borboletas de Vênus são figuras amorfas indescritíveis aos olhos relapsos. Somente quem as observa com intensidade pode perceber a complexidade de seu conteúdo. Subentende-se. Nada é tão óbvio quanto parece nessas criaturas tão hostis e tão dóceis como a luz do luar. Corrompidas pela radioatividade tácita das metrópoles, suas máscaras coloridas escondem uma figura em preto e branco. Os falsos ilibados ficam estarrecidos com o bater esquizofrênico de suas asas, tentando chegar mais rápido, tentando voar mais alto, e observam sem piedade a sua queda fatal. Mesmo o colorido fluorescente dos seus olhos não camuflam o pretume das ruas pantanosas. É demais evidente. No chão, elas se arrastam desmilinguidas, estupefatas com os atropelamentos inevitáveis dos trânsitos. Os predadores andam sempre à espreita.
As borboletas de Vênus são devoradas elo poder inequívoco da fome. Elas são dilaceradas pelo desejo incontrolável do consumo. Nem com sua eloquência teatral elas conseguem dissipar os pusilânimes. Os idiotas é que são felizes. Suas percepções não ultrapassam suas convicções inverossímeis sobre a realidade. Mas as borboletas de Vênus são dotadas de raciocínio lógico, elas refletem sobre tudo, debatem, refutam, questionam. Não admitem o inadmissível. Não concordam com o inconcordável. E, por isso, são arrancadas do cacho como uma uva podre. São expurgadas a todo custo como uma neoplasia. Sua retórica assusta. Sua aparência constrange. E o que mais me deixa confuso é que as borboletas de Vênus só trazem uma característica excepcional. Elas são diferentes de tudo e não tentativas frustradas de cópias imperfeitas.
E você?



Aproveito a oportunidade para agradecer a todos aqueles que me fazem sorrir, pois como disse Erasmo de Rotterdam, " rir de tudo é coisa dos tontos, mas não rir de nada é coisa dos estúpidos". Então "vá mentindo a tua dor, que ao notar que tu sorris, todo mundo irá supor que és feliz...". " falei como um palhaço, mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria..." ( Charles Chaplin)


PS.: essse texto foi escrito em 31/03/2006 durente uma aula de Direito Comercial na faculdade. Dá para ter uma noção de como a aula estava interessante... pelo menos serviu para me inspirar. Quanto ao Direito Comercial... ( prefiro não comentar!!)

sábado, 3 de janeiro de 2009

biografias horizontais I


Aos 12 anos a menina conhece seu primeiro homem. Enquanto as bonecas vão desaparecendo, as ilusões vão se multiplicando. Aos 13 anos ela faz seu primeiro aborto e, junto com aquele feto, ela expulsa do seu corpo sangue e sonhos. Aos 15 anos ela chora pela morte de sua inocência. Percebe que a vida é cruél para as pessoas ingênuas. Aos 16 anos ela já teve tantos homens que até perdeu a conta e já abandonou tantos sonhos... Aos 18 anos ela se apaixona pela primeira vez. Ele promete largar a esposa e lhe jura amor eterno. Depois paga pelo serviço e vai embora como qualquer outro. Só que ela está cansada de abrir as pernas para a enrada de promessas e saída de sonhos. E assim a vida vai passando e ela completa 30 anos. Os homens já não a querem mais. A vida já não a quer mais. Após várias carteiras abertas para abrirem suas pernas, ela resolveu fechar os olhos e, dessa vez, não abrí-los jamais. Resolveu parar de sonhar, de vez.

PS.: esse texto faz parte de uma série de crônicas chamadas biografias horizontais que aos poucos irei publicar aqui no blog. E, como sempre digo, não sesintem acanhados e postem aqui seus textos também, com certeza só irá acrescentar... abraço a todos e obrigado pelos elogios que tenho recebido ( em especial a ju paiva, thais anjos, cléo anjos, taciano mattos, jotapê, helena vieira, tassia anjos, ju maria, adiane, the caires, enfim, todos os que já deram o ár da sua graça aqui...)