segunda-feira, 8 de junho de 2009

Palavras horizontais


Dorme derme, dorme,
Repousa no meu corpo
Até calejar,
Até se juntar
À minha pele,
Morde, invade,
Derrama teu suor,
Apele,
Acorda e me devora,
De leve,
Até que eu me acostume,
É breve,
Depois acelere,
Atreve,
Devora-me louca,
Não negue,
Entrega-te toda,
Penetre,
No céu da minha boca,
Disperse,
Extraia até a última gota,
Eleve-se.

P.S.: um feliz dia dos namorados a todos e, para os solteiros, um dia repleto de possibilidades...
Abraços!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Dicotomias


"Eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês." (Belchior)

Pelas ruas esburacadas
Corre o esgoto a céu aberto
E em meio às casinhas de taipa,
Vivem os homens e os insetos.

Lá no fundo ecoa o lamento,
De uma mãe o choro aflito,
Acabara de morrer seu filho desnutrido,
Mais um ser perdeu seu alento.

A mulher segura no colo
A criança com a barriga galdia,
Clamando um prato de comida,
Mas a panela continua vazia.

E enquanto o pobre homem luta
Para ser habitante de sua própria cidade,
O outro homem nem o percebe,
Pois está atolado na mediocridade.

A cidade com duas faces,
Uma sadia e outra com pus,
Separadas por algumas passadas,
Que se transformam em anos luz.

O menino vive na rua,
Sem lar, sem educação,
Você vê, mas não enxerga,
Pois está inundada de egoísmo
E tem medo do pobre coitado,
Aquele menino, antes indefeso,
Mas que precisa sobreviver, como?
A solução é a sua bolsa
Daquela grife de Milão,
A mãozinha segurando a arma
Para com ela comprar seu pão,
Mas eu não posso reclamar
Nem você e nem a moça,
Pois a criança que era indefesa
Não tinha outra solução,
E teve que usar a arma
Que colocamos em sua mão.

Mas aquele homem também luta
Para ser habitante de sua cidade,
Ser um cidadão brasileiro,
Conquistar sua dignidade.

Contudo, seu grito é abafado,
Ou mesmo ignorado,
Por aqueles que têm o poder
E podem falar mais alto.

O menino que você repudiou
E a sociedade deixou de lado,
Hoje ele te roubou,
Mas quem é o verdadeiro culpado?

P.S.: Dedico este poema a todos os que, como eu, são apaixonados pela arte da poesia. Poesia é amor, é dor, é esperença, é revolta, é lembrança, é nostalgia, é tristeza e alegria. Poesia é isso tudo. "Ilumina a noite. Incendeia o dia."...

Grande abraço a todos!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Flores horizontais ( biografias horizontais V)


Todas as tardes ao pôr do sol
Apareciam na janela
As murchas flores da noite.
Ora de uma palidez sorumbática,
Ora de um pretume sombrio,
Mas sempre despetaladas e apáticas,
Eram talos de espinhos cuja rosa se perdera,
Restando uma tenra lembrança
Perceptível nos olhares profundos e lânguidos.
As janelas eram iluminadas pelos néons
E pelo brilho gelado dos rostos lustrosos.
De longe, via-se os contornos disformes
Das putas inverossímeis,
Amantes mal amadas das frias madrugadas,
Peitos e pernas perambulantes nas calçadas,
Mulheres da vida ( nada fácil )
Que sonham e sofrem como qualquer outra.
Que levam bofetadas da sorte e são espancadas pelo tempo.
Que são marcadas a ferro pelos currais do mundo.
Mas não desistem de lutar.
Mas não desistem de amar.
Pois são mulheres, acima de tudo.


P.S.: A imagem acima é de um Artista Plástico chamado Saulo Mota. Quem se interessar em conehcer melhor seu trabalho é só acessar o blog: http://saulomotaartistaplastico.blogspot.com/.

Grande abraço a todos os meus leitores.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Quotidiano adolescente


Durmo
Sonho, acordo, mijo, volto,
Deito, rolo, e fecho os olhos,
Viro, desço, e então levanto,
Lavo, escovo, enxugo e pronto!
Visto, calço, saio e ando.
Subo, desço, chego e entro,
Oi! Bom dia! Como vai? Que saco!!
Falo, finjo e então me sento,
Olho, olho e não entendo,
Mas Matemática é assim mesmo,
Beijo, faço, como e bebo,
Volto, sento e revejo,
Novamente não entendo,
Mas a vida é assim mesmo.
Então sigo estudando,
Falando, fingindo, andando,
Jogo carta, jogo bola, jogo fora,
Fumo tudo, bebo tudo, papo óstia,
Às vezes rezo, às vezes trepo, às vezes pago,
Vivo sem grana, vivo sem drama, vivo sem saco,
Casa-escola-rua-trabalho,
E assim meu dia vai por alto,
Chefe chato, professor pentelho, namorada neurótica,
Não tenho sossego.
Desce o sol, sobe a lua
Casa-rua, quem sabe a minha, ou talvez a sua?
Vou pra zona, vou à tona, vou pra balada,
Beijo, brigo e levo porrada,
Beijo, bato, só dou mancada,
Mas adolescência é isso mesmo,
Imprevisivelmente inexplicável.
Boto mercúrio, boto band-aid e volto pra dança,
Bebo, beijo, afinal a noite é uma criança,
Pego uma gata, levo pra casa e faço a festa,
Durmo...
Acordo sozinho, cabeça estourando e o olho inchado,
Boto um óculos, disfarço a pancada e vou pro trabalho,
Vai começar tudo de novo, que C... .

Grande abraço aos meus leitores e amigos!
Voltem sempre, a casa é de vocês...

domingo, 3 de maio de 2009

Música


Cada silêncio em teu olhar
Penetra na veia como harmônico som,
Teus dedos percorrem toda extremidade,
Tentando extrair de mim cada tom,
Tua boca me devora os acordes,
Revelando teu precioso dom,
Cada nota do meu corpo
É canção em tuas mãos.
Cantado por tua voz
Sou uma linda sinfonia.
Tocado por tua pele
Sou imponente violão.

Por falar em música, quem ainda não assistiu ao vídeo de Susan Boyle, eu recomendo. Eu já assiti dezenas de vezes e toda vez me emociono. Ela é exemplo de superação, de determinação e de como nós nos enganamos com nossos pré-conceitos. E, além do mais, a música é linda. Confiram!
Esse é o link para assistir ao vídeo...

http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo&feature=related

Ou, caso prefiram, tem uma barra do youtube na lateral do blog. Lá vocês encontram esse e outros vídeos, relacionados à música e humor...

Grande abraço!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Tempo de amor


É tempo de amor,
De dobrar os lençóis amassados,
De encher as malas de alegria
E partir para novas descobertas.
Há tempo para amar,
A busca é perene,
Os encontros são intermitentes,
Mas os rios do amor são caudalosos.
Não desista do amor.
Ele sempre dá mais uma chance,
Clareando as possibilidades.
O amor prolonga as madrugadas
Para que os amantes descubram cada pedaço,
Para que as bocas se toquem
E as pernas se enrosquem.
O amor não perdoa os inertes.
Ele empurra os indecisos em seu abismo,
A queda pode deixar arranhões,
Ou até mesmo pode ser fatal.
Isso mesmo.
O amor mata de muitas formas,
Mas uma vida sem amor
É como uma morte lenta e sofrida.
Muito mais vale morrer de amor
Do que viver sem um amor na vida.

P.S.: Gostaria de agradecer aos meus queridos leitores pelo sucesso crescente que o blog está fazendo e pelas inúmeras palavras de incentivo que estou recebendo. Eu sempre achei que meus escritos ficariam apenas nas minhas agendas... Está sendo um imenso prazer dividí-los com todos vocês.
Um grande abraço e obrigado pela visita!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Um pouco do muito de mim...


( Vi isso no blog de uma colega da blogsfera e achei uma forma interessante e descontraída de me apresentar aos meus leitores. A idéia é tentar descrever suas características em 100 tópicos. Então, lá vai...)

1. Sou apaixonado por música, sempre estou escutando e gosto de tudo um pouco;
2. Mudo de opinião muito rápido sobre muita coisa;
3. Eu também adoro cantar, mas estou quase chegando à conclusão de que devo me contentar com o chuveiro (: ;
4. Adoro os livros de Saramago;
5. Dei meu primeiro beijo com 11 anos e lembro até hoje do gosto;
6. Demorei algum tempo até dar o segundo ( não lembro quanto, mas foi um bom tempo, hehe!);
7. Tenho medo de altura, mas hoje já consigo controlar um pouco;
8. Acho que expresso melhor meus sentimentos escrevendo do que falando;
9. Embora não pareça, eu sou muito tímido em várias circunstâncias;
10. Odeio ouvir um não;
11. Talvez por isso tenha tanta dificuldade em dizê-lo;
12. E talvez por isso acabe fazendo tanta coisa que não queria fazer;
13. Antes de fazer direito, queria ser médico;
14. Gostaria muito de ir a um show do Ney Matogrosso;
15. Não gosto de olhar as pessoas nos olhos, mas nunca descobri bem o motivo;
16. Mas gosto de deixar sempre um olhar oblíquo, acho que assim me sinto mais seguro;
17. Adoro conhecer novas pessoas;
18. Alguns amigos dizem que eu quero dar atenção a várias pessoas ao mesmo tempo e acabo sendo displicente com todo mundo;
19. Acho que eles têm razão, ao menos um pouco;
20. Aprendi a andar de moto com 12 anos;
21. Adoro sentir o vento no rosto e cantar bem alto enquanto estou pilotando;
22. Odeio andar em garupa de moto, fico extremamente tenso;
23. Adoro ler frases soltas, tipo essas de rodapé de agenda;
24. Já colecionei cartão telefônico, na verdade tenho até hoje, mas parei de procurar mais;
25. Tenho muita vontade de ter um filho (a);
26. Comecei a beber com 18 anos, antes disso eu odiava qualquer bebida alcoólica;
27. Já embebedei algumas ( poucas ) vezes e já paguei alguns ( muitos) micos por causa disso;
28. Aliás, eu sou mestre em pagar mico (admito!);
29. Os únicos animais que me metem medo são tubarão e gafanhoto;
30. Às vezes acho que nasci na época errada;
31. Sou extremamente consumista, inclusive estou me esforçando para melhorar;
32. Comecei a falar com 7 meses, comecei a andar com 10 meses, terminei a escola com 15 anos e me tornei advogado aos 21 anos;
33. E continuo não achando isso grande coisa;
34. Quando ouvi “ vaca profana” de Caetano pela primeira vez , foi amor a primeira vista;
35. Sou viciado em pizza de qualquer sabor;
36. Também sou viciado em um pastel de tofu com brócolis de uma pastelaria vegetariana perto aqui de casa;
37. Meu maior sonho é viajar de mochilão pelo mundo;
38. Adoro lugares alternativos;
39. Odeio ter que usar terno para ir ao fórum Rui Barbosa;
40. Tem horas que gostaria de jogar meu celular pela janela;
41. Tem horas que tenho a impressão de que não consigo mais viver sem ele;
42. Não gosto de brigar;
43. Sou apaixonado pelo carnaval de Salvador;
44. Aliás, eu sou apaixonado por quase tudo em Salvador ( moro aqui desde os 13 anos);
45. Tenho dois irmãos ( Guilherme e Gustavo) e uma irmã por parte de pai ( Rosana);
46. Se pudesse escolher meus pais, com certeza escolheria os que tenho;
47. Escrevo mais quando estou triste;
48. Gosto de experimentar coisas novas;
49. Aliás, eu já experimentei muita coisa nessa vida;
50. Ainda não aprendi a lidar muito bem com críticas;
51. Exceto na infância e pré- adolescência, sempre tive mais amigas que amigos;
52. Sempre me dei muito bem com as mulheres, mas preservo até hoje alguns poucos e bons amigos;
53. Não gosto de ficar pelado dentro de casa, mesmo quando estou sozinho;
54. Não uso mictório de banheiro;
55. Odeio cagar fora de casa, e, quando acontece, tenho que forrar milimétricamente toda a tampa do vaso com papel;
56. Desligo as bocas do fogão umas 10 vezes antes de dormir;
57. Eu já tive caxumba, catapora, coqueluche, rubéola, hepatite, dengue, etc, sem falar nas milhares de quedas, cortes, fraturas, etc, etc,e tc ( hehehehheheheheheh);
58. Sempre que me perguntam algo eu respondo: “o que?”, e antes que a pessoa termine de repetir eu já estou respondendo;
59. A primeira medalha que ganhei foi no Tae Kwon Do, em 2008;
60. Queria ser um dos x-mans;
61. Sou muito mais ingênuo do que gostaria de ser;
62. Sou apaixonado pela voz de Maria Bethania;
63. Me emociono toda vez que escuto Ricky Vallen cantando “ no dia em que eu saí de casa” ( aquela música do Zezé di Camargo e Luciano);
64. Eu gosto de escutar arrocha;
65. Adoro assistir filme e sempre acho que o último que eu vi foi o melhor de toda a minha vida;
66. Eu chorei quando terminei de ler “ água para elefantes” de Sara Gruen;
67. Ando com os dedos dos pés dobrados para dentro, pois eles são muito grandes;
68. Já levei muita cantada de homem na rua;
69. Eu amo os filmes do Almodóvar, em especial, Má Educação e Volver;
70. Já fiquei por horas a fio diante de um quadro de Salvador Dalí;
71. Adoro andar a cavalo, mas sempre com alguém do meu lado;
72. Gosto de ficar em contato com a natureza, mas me sinto mais a vontade em uma grande metrópole que em uma fazenda;
73. Eu já me apaixonei por várias pessoas ao mesmo tempo e depois descobri que não amava ninguém;
74. Adoro a liberdade de estar solteiro, mas tenho medo de envelhecer sozinho;
75. Não gosto muito de falar sobre meus sentimentos, talvez por isso eu goste tanto de escrever sobre eles;
76. Tenho dificuldade em falar “eu te amo”, mas já falei algumas vezes;
77. Eu nunca acordo de mau humor;
78. Quando faz muito calor eu fico profundamente irritado, há menos que esteja de sunga e, na praia;
79. Quando faz muito frio, normalmente eu tenho crise alérgica ou de garganta;
80. Odeio pegar ônibus ( e será que alguém gosta??);
81. Eu conto meus planos para todo mundo, mesmo quando eles ainda são meras remotas possibilidades;
82. Não gosto de guardar segredo, mas se precisar, eu até me esforço;
83. Não gosto de escrever meus textos no computador, tenho mis inspiração com um papel e uma caneta;
84. Sempre tive vontade de voar;
85. Sempre que assisto algum filme de super-herói, saio do cinema achando que tenho algum super poder;
86. Tenho medo de perder as pessoas que amo;
87. Já pensei em mudar muita coisa em mim, mas hoje me sinto bem diante do espelho, diria até que sou meu fã número 1;
88. Releio meus textos milhões de vezes e toda vez me emociono;
89. Adoro aprender outros idiomas e conhecer sobre outros estilos de vida, outras culturas;
90. Eu procuro respeitar tudo e adoro conhecer pontos de vista diferentes dos meus;
91. Se pudesse eu estaria sempre viajando, mas viajo sempre que posso;
92. Às vezes tenho vontade de jogar tudo pro alto e viver na “sociedade alternativa” de Raulzito;
93. Por falar nele, eu amo as músicas do Raul Seixas ( herdei esse bom gosto do meu pai que também é fã);
94. Eu dou risada de tudo e, nos lugares mais inapropriados, eu tenho crise compulsiva de riso, é incontrolável mesmo;
95. Teve uma vez que eu sonhei que estava esperando um filho e, quando acordei, o sonho era tão real que fiquei pensando que realmente podia ser verdade ( hehehehe);
96. Gosto de comer quase tudo, menos mocotó e algumas poucas outras coisas;
97. Adoro tomar banho de chuva, um dia ainda vou dançar na chuva e tirar toda a roupa ( tem que ser exatamente nessa sequência);
98. Quando era mais novo, já pensei em fugir de casa várias vezes, mas depois via que não tinha motivo nenhum;
99. Quando era criança eu gostava de comer as pontinhas das folhas dos cadernos ( é, eu comia papel);
100. Eu odeio objetividade, gosto de fazer mil arrodeios para contar alguma coisa...

Qualquer forma de descrever uma pessoa é limitá-la. Nesses 100 tópicos dá para ter uma leve noção de como eu sou e do que eu gosto. Agora tentar me descrever ou me conhecer por completo eu diria que será uma tarefa árdua. Quem conseguir, por favor me avise, pois esse tem sido o objetivo de tods esses 22 anos de existência: conhecer-me por completo!
Grande abraço a todos!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Belle michê ( Biografias Horizontais IV)


Visto de longe, parecia mais um cara desses que só alcançam uma ereção completa quando levantam um peso exorbitante no supino. Mas, visto de perto, tinha-se a certeza. Alto, moreno, corpão sarado, enfim, todos os dotes corporais almejados por uma multidão de mulheres – ou não – afoitas por uma louca noite de sexo ardente e selvagem. Logo que começou a fazer programa, ele estava disposto a atender somente mulheres, ou, no máximo, casais modernos e descontraídos. Era tudo um grande barato. Começou a freqüentar lugares caros, comprou um carro 0 km e fumava um baseado às vezes – mas só de leve. Certo dia, ele recebeu uma proposta tentadora e aceitou sem pestanejar. Um empresário casado de caráter reto e reputação ilibada o havia convidado a satisfazer seus desejos mais ocultos – ou, talvez, nem tanto. Enquanto não chegava a hora do encontro, ele se perguntava o quão infeliz devia ser aquele cara. Escondia-se de todos e, principalmente, de si mesmo. Encontraram-se em um bom motel da cidade e, para sua surpresa, foi uma experiência surpreendente. Houve apenas sexo. De um modo inesperadamente intenso, mas nada mais que sexo. A única palavra que fora ouvida em meio a alguns gemidos foi “ belle michê”. Algum tempo depois, o cliente se vestiu de forma automática e compenetrada, tão rápida quanto se havia despido, deixando transparecer a habitualidade da conduta. O rapaz ficou mais um tempo na cama, totalmente sem roupa e despido de muitos pudores. Ele sabia que podia ser muito mais do que um garoto em busca de dinheiro. Ao contrário do que esperava viu que aquele homem no quarto também não era por inteiro. Tampouco teve espasmos de felicidade por finamente, estar supostamente mostrando sua verdadeira face. Percebeu que a máscara do ator pode ser, na verdade, um molde harmônico de sua aparência. E que sua face nua pode ser o reflexo de uma máscara invisível. Acabava de sair daquele quarto de motel um garoto decidido a enfrentar todas as suas batalhas. Deixava seu passado ignoto para mergulhar no profundo abismo do futuro. Mesmo sem as dores do parto, nascera naquele momento o belle michê. Olhos gigantes e lábios famélicos lambuzados de um instigante porvir.

P.S.: antes que alguém pergunte, ou não, gostaria de ressaltar que não se trata de um texto autobiográfico (: .
Faz parte de um conjunto de crônicas e poesias de minha autoria, chamados "biografias horizontais"...
Para quem tiver interesse, nas postagens mais antigas, têm também as biografias I, II e III.
Grande abraço aos meus leitores e amigos.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Sou o teu mar


O vento leste sopra forte,
Teus cabelos soltos a voar,
Como embarcação entregue à sorte,
Afunde em mim, sou o teu mar.

A bússola do teu destino diz o meu norte,
Teus olhos me guiam como o luar,
Tal qual espada de certeiro corte,
Adentre em mim, sou o teu mar.

Imponentes falésias com sua arte,
Não me prendem mais que o teu olhar,
Como sereia na calada da noite,
Meu canto te chama, sou o teu mar.

Ondas se elevam em grande porte,
Só para ver você passar,
Como um satélite que explora Marte,
Descubra-me, sou o teu mar.

Eu me entrego em cada porto sempre pronto para amar-te,
Já que a vida fez de ti marinheiro sem lar,
Como um sábio pescador que não tem medo da morte,
Mergulhe em mim, sou o teu mar.

Grande abraço a todos!!

sábado, 7 de março de 2009

Casaco de pele


Não entendo por que me negas teu olhar.
Não vês que eu me despi das minhas mentiras?
Não sei por que insiste em me negar teu sorriso,
Se minha boca escancarada devora cada pensamento teu.
Quero ouvir tuas palavras horizontais
E sentir meu corpo sangrar com tuas doces mordidas.
Sofreria bem mais sem tua boca macia.
Sangraria bem mais sem tua leve alegria.
Quero fazer da tua pele a minha fantasia,
Cobrir-me por inteiro,
Vestir-me dos pés à cabeça,
E nunca mais sentir frio.
E nunca mais sentir mais nada,
Sem ti
Em mim.

Grande abraço aos meus leitores tão especiais...