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domingo, 22 de maio de 2011

Sobre mulheres e outros labirintos - Os desertos das Anas...


Foi um faz-de-conta bem excêntrico,
Algo entre Tarantino e David Lynch,
Algumas noites de desassossego,
E o desejo que saltava dos olhos.
Eu era uma boa dose de conversa,
Bebida fina, mas que não saciava,
E no afã de aplacar a sede arfante,
Procuravas em outros copos a luxúria da embriaguez.
Mal sabias que eu queria muito mais do que conversas,
Queria o silêncio sonoro da tua boca na minha,
E além de ser a amiga para as noites quentes,
Desejava ser a mulher para tuas noites frias.
A proximidade do teu corpo me deixava aturdida,
E doía poder desfrutar de tua intimidade consentida.
Deixei de perceber a proposta de outros olhares,
Tive na mão alguns cantis, mas essa água já não me bastava,
Minha sede era tão grande que mergulhei em teu oásis falso,
Nadei no seco e afundei no nada.
Estou aprendendo a beber de outras águas,
E a não regar os buracos sem sementes,
Ainda tenho muita sede para matar,
Aceito os cantis e seus pretendentes.

"Troquei um cantil por um oásis falso, tive sede..."
(Ana Emília Primo Cavalcanti)

Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Hábito


Era uma vez o amor,
Que não resistiu a tantos anos de desencontros,
Tantos segredos lançados pela janela,
Tantas promessas vestidas pelo engano.
Alguns sorrisos camuflavam as lágrimas solitárias,
Apenas as madrugadas testemunhavam os prantos,
Foram longas conversas com palavras caladas,
Fotografias coloridas para enfeitar as molduras.
Feriam-se com dizeres tangentes e amolados,
Chupavam-se desesperados em doses homeopáticas,
Um escorado nas fraquezas do outro,
E varriam todos os cacos para debaixo da cama.
Acostumaram-se à rotina dos que esperam o povir.
Não se esforçavam para o mínimo suspiro de ousadia,
Alimentavam-se nas migalhas das noites frias,
Um com as unhas cravadas no coração do outro,
Sabotavam-se em um fluxo contínuo e louco,
E viveram por longos anos encenando suas horas,
Pernetas morimbundos que desaprenderam a andar.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Vai


Não precisa despedida
E nem meias palavras,
Eu te deixo sem maldade,
Sem vaidade e sem mágoas,
Acostumei-me com fartura,
Não me servem mais migalhas.
Vai,
Que eu vou ver a tua sombra
Pela fresta da janela,
Já tranquei os meus desejos
Mas deixei a porta aberta,
O que me resta de você,
Nesse instante não me interessa.
Leve seus olhos, mas deixe o olhar,
Pois amanhã sei lá.
Use passos largos, mas vá devagar,
Vai levar um bom tempo
Para acostumar,
Mas ninguém sai perdendo,
Sempre há outro cais,
Ainda que esteja sofrendo,
Vai, e não olhe pra trás.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Já nem sei


Era pra ser só uma palavra,
Mas os versos adiaram o adeus.
Era pra ser somente um beijo,
Mas teus lábios, perderam-se nos meus.

Tudo foi tão, mas nada em vão,
Tudo foi teu, todo o eu meu,
Tudo foi vão, mas nada tão,
Tudo foi meu, todo o não teu.

Nem sei se posso um dia dizer,
Que amei e fui amado por você,
Pois os ventos já levaram meus desejos,
E meu corpo já não vibra com teu cheiro.

Tudo foi não, nem tu e nem eu,
Tudo foi teu, teu não e o meu,
Tudo foi eu, tão seu e tão meu,
Tudo foi tão, vão, que depois, se perdeu.

Era pra ser uma festa, mas acabou a bebida,
As luzes ficaram sombrias, e a dama esquecida,
Era pra ser uma farra, uma forra, uma tara, uma gira,
Mas acabou sendo fossa, uma farça, pirraça, trapaça e orgia.

Te falei que não queria, só esqueci de te dizer,
Eu achei que negaria, mas na hora paguei pra ver,
Sempre soube que teria, um final, antes do fim,
Mas confesso que faria, tudo de novo mesmo assim,
E sofreria, só mais um pouco,
E ficaria, um tanto mais louco,
E subiria até sua boca,
E beijaria, mais uma dose,
Me entregaria, sem fazer pose.

Só pra te amar mais um pouco.
Só pra sorrir mais um pouco.
Só pra chorar mais um pouco.
Só pra morrer mais um pouco.

P.S. Calma, meus leitores, eu estou bem. Afinal, para sofrer por amor é preciso amar. E o amor é a energia que nos move. Não existe desamor. O amor antigo vira dubo para que outro possa germinar. Ele não morre. Ele renasce sob uma nova roupagem.
Ah, o amor!
Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Vamos pular?


O que é o amor?
Para mim o amor é um abismo.
Dá vontade de pular de cabeça,
De ver até onde vai dar,
Mas dá medo o abismo escuro do amor,
Que mesmo iluminado
Não nos deixa ver o final.
Esse breu que entorpece o juízo,
Nosso inexorável precipício.
Nosso vício de pular
E de morrer a cada início.
O amor crava as unhas bem fundo,
E nos rasga o peito.
Eu pulo mesmo assim...
Pois o que seria da vida sem o risco da morte?
Então, vamos pular juntos?

Se o amor bater em sua porta, abra sem medo. Escancare as janelas do seu coração. Por certo que amar também é sofrer. Mas pior é amargar a trsiteza de uma vida sem amor. Permita-se. Apaixone-se.

"É tão bom morrer de amor e continuar vivendo." (Mário Quintana).

Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço.

domingo, 16 de agosto de 2009

Sobre o amor e outras guerras


Seus olhares me desmontam,
Queria ter dito, ter feito,
Mas teus ventos arrastam minhas palavras,
Admiro tua coragem,
Amo tua destreza,
Mas odeio tuas horas tolas,
Teus monólogos sem delicadeza,
Me perco na imensidão das tuas idéias,
Me desmancho diante de tua fortaleza,
Mas naufrago nas tuas fortes correntezas,
E me afogo em minhas lágrimas de incertezas,
Ès meu estandarte, minha búlssola biruta,
És meu chocolate, minha inconstante dúvida,
Tuas respostas me decifram como um manual,
Tuas perguntas me devoram como uma esfinge,
Muitos quilômetros e um labirinto
Nos separam,
E nos perdemos um do outro o tempo todo,
Nosso sangue se derrama gota a gota,
Nossa boca vai secando pouco a pouco.
Mas nosso sonho se mantém aceso,
E é nessa chama que aquecemos nosso corpo...

Ainda vou aprender a dizer que te amo.
Por enquanto, as ondas vão apagando minhs pegadas
Que acompanham os longos passos
Na tua sinuosa estrada.

Essa é uma homenagem a alguém que eu amo. A alguém que sabe do meu incomensurável amor. A alguém que me dá medo e ternura, lucidez e loucura, paradigmas e distância.
Alguém cujo sangue se mistura em minhas veias. Alguém como eu. Com defeitos e virtudes. Com fraquezas e glórias. Alguém que me fez sofrer algumas vezes, mas que, acima de tudo, me faz seguir sempre de cabeça erguida.