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domingo, 16 de agosto de 2009

Sobre o amor e outras guerras


Seus olhares me desmontam,
Queria ter dito, ter feito,
Mas teus ventos arrastam minhas palavras,
Admiro tua coragem,
Amo tua destreza,
Mas odeio tuas horas tolas,
Teus monólogos sem delicadeza,
Me perco na imensidão das tuas idéias,
Me desmancho diante de tua fortaleza,
Mas naufrago nas tuas fortes correntezas,
E me afogo em minhas lágrimas de incertezas,
Ès meu estandarte, minha búlssola biruta,
És meu chocolate, minha inconstante dúvida,
Tuas respostas me decifram como um manual,
Tuas perguntas me devoram como uma esfinge,
Muitos quilômetros e um labirinto
Nos separam,
E nos perdemos um do outro o tempo todo,
Nosso sangue se derrama gota a gota,
Nossa boca vai secando pouco a pouco.
Mas nosso sonho se mantém aceso,
E é nessa chama que aquecemos nosso corpo...

Ainda vou aprender a dizer que te amo.
Por enquanto, as ondas vão apagando minhs pegadas
Que acompanham os longos passos
Na tua sinuosa estrada.

Essa é uma homenagem a alguém que eu amo. A alguém que sabe do meu incomensurável amor. A alguém que me dá medo e ternura, lucidez e loucura, paradigmas e distância.
Alguém cujo sangue se mistura em minhas veias. Alguém como eu. Com defeitos e virtudes. Com fraquezas e glórias. Alguém que me fez sofrer algumas vezes, mas que, acima de tudo, me faz seguir sempre de cabeça erguida.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O caçador de sóis


Eu procuro em todos os lugares a luz mais brilhante. Procuro em cada abismo de mim algo que doure minha pálida alma. Sempre que avisto um vulto no horizonte, corro para ver se encontro o que tanto busco. Sou um caçador de sóis. Minha existência é inteiramente para essa exaustiva busca. Procuro no mais distante de cada olhar essa forte luz que me resgate da penumbra. Viajo pelo mundo. Em cada canto descubro novas cores. Espere, olhe ali adiante. Que fluorescência é aquela que me ofusca os olhos? Está vendo? Chegue mais perto. E agora? Cheguei a pensar que finalmente havia encontrado (me). Amarga ilusão, o que avistamos nada mais era que os neons dos cabarés da Rue de Berne. E assim segui minha sina, caçando sóis por toda parte. Até que finalmente, após mais uma noite de trégua, acordei com um par de asas velozes e precisas como as de um condor. Voei, voei e fui chegando bem pertinho de um sol. Finalmente tudo começou a fazer sentido. Minha vida passou diante de meus olhos como um filme e pensei comigo: “ cada ser esconde no mais profundo de si os seus "eus". Alguns vão mostrando aos poucos, outros escancaram suas pseudo aparências, acreditando que assim estarão sendo verdadeiros. Quanta tolice! Ninguém é por completo e ninguém pode se esconder para sempre. Alguns resguardam-se em um mundo indefectível e mergulham no doce abismo da ilusão. Outros querem fumar todos os cigarros do mundo e abrirem as pernas - ou os braços - para o desconhecido. Na verdade, a única certeza é que todos eles serão um eterno porvir.” De repente, tomado por um calor descomunal, senti minha carne se esvairindo como uma madeira tornada carvão. Vivi em uma constante busca por respostas ininteligíveis e, a cada questionamento, descobri que só existem meias verdades. Por isso eu te digo com a nobreza de um desafortunado: não sejas caçador de sóis, pois, se procurares por muito tempo, acabarás encontrando o que desejas, mas verás que tua frágil armadura não estava pronta para suportar tamanha adversidade.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Meus Dias Engarrafados



"Soprava um vento gelado contra os vidros da janela do seu automóvel, fazendo embaçar a visão, distorcer a realidade. Nada conseguia se mover em quilômetros no abarrotar da rodovia. "
(Mulher de São Jorge - Taciano J. Mattos)

O despertador toca desafinado. Acordo aturdido com o barulho e levanto da cama. São 4:30h da madruga. Escovo os dentes e tomo uma ducha bem quente. Às 5:00 já consigo abrir os dois olhos. Tomo um improvisado café da manhã e vou para o trabalho. Saio da garagem e inicio a jornada exaustiva. Logo nos primeiros minutos já consigo observar uma fileira de carros emparelhados como peças de dominó. A impressão que tenho é que se o da frente desmontar todos os demais cairão com ele. E não é que a metáfora é verdadeira. Acidente na Av. Bonocô deixa dois mortos. Ligo o rádio. No intervalo das músicas, notícias fresquinhas de mais um dia que começa a todo vapor. Resumo da ópera: chacina nas Malvinas, assalto a banco na Pituba e um pai acusado de violentar a filha de 3 anos foi convidado ao suicídio por seus companheiros de cela. Ufa! Desligo o rádio. Meu mp3 de Jazz combina mais com a ocasião. Enquanto o carro se arrasta como um jabuti entrevado, o vidro dianteiro já foi lavado três vezes. “Ô tio, na moral aí tio, só uma moedinha”. No auge dos meus 22 anos, me sinto realmente um “tio” nessas circunstâncias. Preciso repor meu estoque de moedas. Há muito tempo não me questiono mais sobre o destino que elas terão. Comigo também não seriam lá grande coisa. Mesmo abafado pelos vidros fechados, ainda se escuta o som esquizofrênico das buzinas. Adoro ficar observando as pessoas dos carros ao lado. E o melhor é a alta rotatividade. Dá até para paquerar. Já dizia um velho e sábio amigo que se o inimigo é irremediável, ele deve ser seu melhor aliado. Pois bem. Aprendi a gostar dos engarrafamentos. Agora falta eu achar uma forma de me aliar ao meu outro grande inimigo: o despertador que me acorda as 4:30 da madruga. Vou te contar que está difícil viu!...

PS.: gostaria que vocês apresentassem sugestões para que o personagem faça as pazes com seu despertador ( ( coloquei na 1ª pessoa, mas eu - graças a Deus não tenho que acordar 4:30 h)...

abraços e boa leitura

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Questionamentos


Escuta:eu te deixo ser. Deixa-me ser,então."
Clarice Lispecktor

Não é fácil ser quem sou. Para você é fácil ser quem é? Tenho medos como qualquer outro. Tenho planos como qualquer outra. Se bem que normalmente não sonho. Minha realidade não me permite devaneios. Penso que todos sonham com flores azuis e vermelhos intensos, com uma queda no abismo ou um voo pelas falésias. Você sonha? Pelas estradas sigo meu destino. Pistas sinuosas, curvas perigosas. Já derrapei inúmeras vezes. Certa vez até peguei a contramão. Pensando bem... foram tantas as vezes. Não gosto de ser quem eu sou. Você gosta de ser quem é? Se bem que não posso reclamar. O vento costuma soprar a meu favor. Tempestades intensas me assustam. Mas é na calmaria que me entrego ao desespero. Meu porto seguro é o mar. Ancorado no cais não tenho como fugir de mim mesmo. Sou guiado ao sabor das correntes. O acaso é meu doce lar. Minhas luas têm ângulos diferentes. Em cada canto, encontro alguém para amar. É difícil entender o meu mundo. Dessa forma peço que me explique o seu. Parei a muito tempo de me fazer perguntas difíceis. Pensei que seria um eterno questionador. Grande bobagem. Quem muito pergunta, descobre que está cheio de dúvidas. E eu adoro a ilusão de que tudo sei, ao menos sobre mim. Mas, lá no fundo, sei que não sei de quase nada. Você sabe? Se não sabe por que tenta me dizer o tempo todo? Nem sei o motivo de escrever tudo isso. Sinto-me mais tranqüilo. Enfrentamos esfinges a todos os momentos. “ Decifra-me ou devoro-te”. Meus códigos são tão complexos que nem eu mesmo os decifraria. Mas têm tantas pessoas empenhadas na tarefa de descobrirem quem sou, que chego a pensar que talvez elas já saibam quem são. Senão, se não, pobres criaturas. Serão devoradas pelo tempo e verão sua existência reduzida a uma busca sem o menor sentido.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

As borboletas de Vênus


Tendo em vista os princípios da lei da física, as borboletas de Vênus desafiam a lei da gravidade. Mesmo com suas asas pesadas, conseguem flutuar como um condor em vôo rasante. Mesmo com as cores da primavera, as borboletas de Vênus irradiam beleza. Não uma beleza que ofusca, mas uma beleza que se infere. Elas são como as entrelinhas de Clarice Lispector. As borboletas de Vênus são figuras amorfas indescritíveis aos olhos relapsos. Somente quem as observa com intensidade pode perceber a complexidade de seu conteúdo. Subentende-se. Nada é tão óbvio quanto parece nessas criaturas tão hostis e tão dóceis como a luz do luar. Corrompidas pela radioatividade tácita das metrópoles, suas máscaras coloridas escondem uma figura em preto e branco. Os falsos ilibados ficam estarrecidos com o bater esquizofrênico de suas asas, tentando chegar mais rápido, tentando voar mais alto, e observam sem piedade a sua queda fatal. Mesmo o colorido fluorescente dos seus olhos não camuflam o pretume das ruas pantanosas. É demais evidente. No chão, elas se arrastam desmilinguidas, estupefatas com os atropelamentos inevitáveis dos trânsitos. Os predadores andam sempre à espreita.
As borboletas de Vênus são devoradas elo poder inequívoco da fome. Elas são dilaceradas pelo desejo incontrolável do consumo. Nem com sua eloquência teatral elas conseguem dissipar os pusilânimes. Os idiotas é que são felizes. Suas percepções não ultrapassam suas convicções inverossímeis sobre a realidade. Mas as borboletas de Vênus são dotadas de raciocínio lógico, elas refletem sobre tudo, debatem, refutam, questionam. Não admitem o inadmissível. Não concordam com o inconcordável. E, por isso, são arrancadas do cacho como uma uva podre. São expurgadas a todo custo como uma neoplasia. Sua retórica assusta. Sua aparência constrange. E o que mais me deixa confuso é que as borboletas de Vênus só trazem uma característica excepcional. Elas são diferentes de tudo e não tentativas frustradas de cópias imperfeitas.
E você?



Aproveito a oportunidade para agradecer a todos aqueles que me fazem sorrir, pois como disse Erasmo de Rotterdam, " rir de tudo é coisa dos tontos, mas não rir de nada é coisa dos estúpidos". Então "vá mentindo a tua dor, que ao notar que tu sorris, todo mundo irá supor que és feliz...". " falei como um palhaço, mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria..." ( Charles Chaplin)


PS.: essse texto foi escrito em 31/03/2006 durente uma aula de Direito Comercial na faculdade. Dá para ter uma noção de como a aula estava interessante... pelo menos serviu para me inspirar. Quanto ao Direito Comercial... ( prefiro não comentar!!)

domingo, 21 de dezembro de 2008

" quem tem amigo não se governa"


Não sei quanto a você, mas eu tenho uma dificuldade tremenda em dizer NÃO. por isso, as vezes faço coisas que não teria feito sem uma insistência mais incrementada e, também, acabo por fazer o que provavelmente não faria se tivesse que tomar a iniciativa.
Meus incansáveis "sins" já me renderam alguns constrangimentos, algumas situações inconvenientes ou até mesmo vexatórias, mas também já resultaram em boas surpresas, longas noites de diversão e muitas risadas [em especial à confraria dos absoluts].
Deitado em meu ouvinte mais atento - meu travesseiro - or vezes tento buscar explicações para esse meu complexo do não. Será medo de decepcionar alguém? Será o desejo de ir até o fim da linha para ver aonde vai dar? Será a necessidade de experimentar novas descobertas?
Uma grande amiga achou uma comunidade no orkut e me mandou o link dizendo ser " a minha cara". Eis o título: " quem tem amigo não se governa". Foi identificação total.
Descobri que o problema não está em mim, muito menos nos outros. Na verdade, problema nenhum há. Estou aprendendo com o tempo a enxergar os aspectos positivos até dos meus defeitos. E enquanto eu não me governar, pelo menos é um sinal de que amigos tenho...
Agora que você já sabe meu ponto fraco, faço questão de dizer que há ressalvas. Afinal, um não dito na hora certa poderá trazer muitos "sins" mais tarde. E é mais tarde que as coisas se tornam bem mais interessantes.


"Enquanto se tenha ao menos um amigo, ninguém é inútil".
(Robert Louis Stevenson)


PS.: em especial a todos os meus amigos (e amigas) que enchem de alegria cada segundo da minha existência.

sábado, 20 de dezembro de 2008

As horas ( crônicas do tempo)


Sabe-se lá quanto tempo vou viver. As horas são como as águas de um rio. Incansáveis. Nunca se repetem. Pulam de galho em galho como um macaco esquizofrênico. São como um barco à deriva no oceano. As horas desfazem muitos planos, mas também abrem muitos caminhos. Uma hora tudo vai acontecer. Em uma hora. São horas de espera. Ora bolas! Mas o que são vinte e quatro horas? Mais um dia entre tantos outros. Fico observando as horas passarem. Dizem que uma hora tudo vai dar certo. A cada vez que respiro morre uma pessoa no Japão. Pena que meu fôlego seja tão ruim. Ouvia sempre isso quando criança e passei anos pensando que tinha uma respiração letal. Só depois descobri a beleza das metáforas. Cento e noventa e dois mil setecentos e vinte horas de vida. Vinte e dois anos. Agora entendo por que o tempo é inimigo das horas. Pena que elas passem tão despercebidas. Uma hora é muito pouco. O que eu posso fazer em uma hora? Na verdade, cada um tem as suas horas. Ou será que as horas é que nos têm? Sabe-se lá quanto tempo vou viver. Só sei que uma hora vou morrer. 1:00h?

PS.: quem tiver seus escritos, poesia, crônica, frases soltas, enfim, pode ficar a vontade em postar aqui. Criei esse espaço com o objetivo de realmente transformá-lo em um vórtice literário. Podem começar a escrever...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O começo

Para a mente de um poeta não há nada mais inquieto que sua própria existência. Portanto, contar a história de um poeta é provocar um vórtice em cada um que tentar desvendá-la. è tocar no mais profundo da alma e mergulhar no grande abismo de si mesmo.
Dar o impulso inicial é sempre o passo mais difícil a ser tomado. Escrever parece difícil porque ninguém consegue mentir para si mesmo. Pelo menos não de verdade. As máscaras encobrem apenas o notório, o óbvio, o nítido. Escrever é ter coragem de enfrentar os dedos tesos, as bocas moles. É ter a petulância de argumentar contra os dogmas e romper os velhos paradigmas.
Esse blog é nada mais que um convite. Um convite a cada um que o ler, a garimpar as palavras encravadas em suas mentes. Movimentem--se. A inquietude leva à busca e como diz a sabedira popular " quem procura, acha". Nunca se canse de procurar, seja o que for.
Quer uma dica? Começe desenhando um "o" com um copo. Na verdade é bem mais difícil do que parece. Caso você consiga, certamente estará pronto para escrever. Prometo que não vai doer...