
Tendo em vista os princípios da lei da física, as borboletas de Vênus desafiam a lei da gravidade. Mesmo com suas asas pesadas, conseguem flutuar como um condor em vôo rasante. Mesmo com as cores da primavera, as borboletas de Vênus irradiam beleza. Não uma beleza que ofusca, mas uma beleza que se infere. Elas são como as entrelinhas de Clarice Lispector. As borboletas de Vênus são figuras amorfas indescritíveis aos olhos relapsos. Somente quem as observa com intensidade pode perceber a complexidade de seu conteúdo. Subentende-se. Nada é tão óbvio quanto parece nessas criaturas tão hostis e tão dóceis como a luz do luar. Corrompidas pela radioatividade tácita das metrópoles, suas máscaras coloridas escondem uma figura em preto e branco. Os falsos ilibados ficam estarrecidos com o bater esquizofrênico de suas asas, tentando chegar mais rápido, tentando voar mais alto, e observam sem piedade a sua queda fatal. Mesmo o colorido fluorescente dos seus olhos não camuflam o pretume das ruas pantanosas. É demais evidente. No chão, elas se arrastam desmilinguidas, estupefatas com os atropelamentos inevitáveis dos trânsitos. Os predadores andam sempre à espreita.
As borboletas de Vênus são devoradas elo poder inequívoco da fome. Elas são dilaceradas pelo desejo incontrolável do consumo. Nem com sua eloquência teatral elas conseguem dissipar os pusilânimes. Os idiotas é que são felizes. Suas percepções não ultrapassam suas convicções inverossímeis sobre a realidade. Mas as borboletas de Vênus são dotadas de raciocínio lógico, elas refletem sobre tudo, debatem, refutam, questionam. Não admitem o inadmissível. Não concordam com o inconcordável. E, por isso, são arrancadas do cacho como uma uva podre. São expurgadas a todo custo como uma neoplasia. Sua retórica assusta. Sua aparência constrange. E o que mais me deixa confuso é que as borboletas de Vênus só trazem uma característica excepcional. Elas são diferentes de tudo e não tentativas frustradas de cópias imperfeitas.
E você?

Aproveito a oportunidade para agradecer a todos aqueles que me fazem sorrir, pois como disse Erasmo de Rotterdam, " rir de tudo é coisa dos tontos, mas não rir de nada é coisa dos estúpidos". Então "vá mentindo a tua dor, que ao notar que tu sorris, todo mundo irá supor que és feliz...". " falei como um palhaço, mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria..." ( Charles Chaplin)
PS.: essse texto foi escrito em 31/03/2006 durente uma aula de Direito Comercial na faculdade. Dá para ter uma noção de como a aula estava interessante... pelo menos serviu para me inspirar. Quanto ao Direito Comercial... ( prefiro não comentar!!)