
Todas as tardes ao pôr do sol
Apareciam na janela
As murchas flores da noite.
Ora de uma palidez sorumbática,
Ora de um pretume sombrio,
Mas sempre despetaladas e apáticas,
Eram talos de espinhos cuja rosa se perdera,
Restando uma tenra lembrança
Perceptível nos olhares profundos e lânguidos.
As janelas eram iluminadas pelos néons
E pelo brilho gelado dos rostos lustrosos.
De longe, via-se os contornos disformes
Das putas inverossímeis,
Amantes mal amadas das frias madrugadas,
Peitos e pernas perambulantes nas calçadas,
Mulheres da vida ( nada fácil )
Que sonham e sofrem como qualquer outra.
Que levam bofetadas da sorte e são espancadas pelo tempo.
Que são marcadas a ferro pelos currais do mundo.
Mas não desistem de lutar.
Mas não desistem de amar.
Pois são mulheres, acima de tudo.
P.S.: A imagem acima é de um Artista Plástico chamado Saulo Mota. Quem se interessar em conehcer melhor seu trabalho é só acessar o blog: http://saulomotaartistaplastico.blogspot.com/.
Grande abraço a todos os meus leitores.


