
Sou puta! Respondia sem pestanejar quando questionada sobre sua profissão. Isso não era nenhuma vergonha. Ela jamais roubou. Baseados eram raridades que serviam apenas para amenizar aparências hostis. O pior em trabalhar com sexo é que pessoas bonitas geralmente o conseguem de graça. Não era apenas o dinheiro que a estimulava, mas também o prazer. Um orgasmo múltiplo era sua remuneração mais desejada. Ela não era ninfomaníaca, simplesmente gostava de se sentir preenchida. Para ela, sua profissão era a mais completa de todas. Trabalhava, literalmente, com prazer. Estabelecia sua própria jornada e os honorários não eram ruins. Fazia faculdade de Direito pela manhã e, o que por sinal ela adorava, podia fazer um amplo trabalho social. Afinal de contas, indivíduos sem sexo ficam extremamente depressivos e/ ou agressivos. Ela não oferecia só sexo. Havia um poderoso divã no meio de suas pernas. Ela abria o óbvio e os homens escancaravam o mais oculto de seus sentimentos, desejos e frustrações. O sorriso dos clientes a agradava muito. Era o sinal de um trabalho bem feito e de mais um dever comprido.
“ trouxeram um trem carregado de putas inverossímeis, fêmeas babilônicas adestradas com recursos imemoriais e providas de toda espécie de ungüentos e dispositivos para estimular os inertes, despertar os tímidos, saiar os vorazes, exaltar os modestos, desenganar os múltiplos e corrigir os solitários...” ( Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marques).
P.S.: Esse texto é mais uma das biografias horizontais que, conforme prometido, irei publicando aos poucos no blog. Lembrando que as obras encontram-se devidamente registradas, sendo que qualquer cópia ou reprodução dependerá de prévia autorização do autor, no caso, eu... hehe!
Muito obrigado a todos os que têm me enviado scraps no Orkut, e-mails ou deixado postagens aqui no blog. Fico muito feliz que vocês estejam gostando e espero sempre contribuir para que todos tenham uma boa leitura e, conto também com a colaboração de todos. Postem aqui suas crônicas, suas poesias, seus desabafos, suas histórias, enfim, escrevam... faz bem para a mente e para a alma. Quem preferir pode enviar o texto para meu e-mail que eu publicarei com o maior prazer e, claro, identificarei devidamente o respectivo autor.
Abraços!
Roberto Ney O. Araújo Júnior
e-mail: robertoney@gmail.com
uau mais uma daquela tua serie mano....
ResponderExcluirmuito boa ,.
Roberto, não sabia desse seu dom literário !!
ResponderExcluirÒtimo conto, muito bem escrito, com palavras sucintas e coordenadas !!
Parabéns !! Sucesso !!
"Ela não oferecia só sexo. Havia um poderoso divã no meio de suas pernas."
ResponderExcluirNossaaaa...palavras marcantes aii.Bem detalhista você é.Parabéns, amei o texto! Quero acompanhar essa série!
Orgulhosa demais de vc!
ResponderExcluirAdorei
Olá Roberto! Obrigada pela passagem em meu blog,e pelas palavras. Ali é um espaço para refúgio, escrevo quando sinto. Gostei bastante do seu blog também, especialmente do texto "Borboletas de Vênus". Alguns trechos cabem perfeitamente com minhas conversas sobre pessoas e personalidades que tenho com Larissa. Nosso conflito maior é estar sempre pensando e questionando tudo, não sabendo se isso contribui mais para a nossa felicidade ou infelicidade. Quanta gente é fútil e feliz com tão pouco, não é? Enfim, longo questionamento.Belas palavras.
ResponderExcluirAh, adicionei seu blog em minha lista, assim não perco o endereço e darei sempre um pulinho por aqui.
Abraço!!
Indhira Almeida.