
"Eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês." (Belchior)
Pelas ruas esburacadas
Corre o esgoto a céu aberto
E em meio às casinhas de taipa,
Vivem os homens e os insetos.
Lá no fundo ecoa o lamento,
De uma mãe o choro aflito,
Acabara de morrer seu filho desnutrido,
Mais um ser perdeu seu alento.
A mulher segura no colo
A criança com a barriga galdia,
Clamando um prato de comida,
Mas a panela continua vazia.
E enquanto o pobre homem luta
Para ser habitante de sua própria cidade,
O outro homem nem o percebe,
Pois está atolado na mediocridade.
A cidade com duas faces,
Uma sadia e outra com pus,
Separadas por algumas passadas,
Que se transformam em anos luz.
O menino vive na rua,
Sem lar, sem educação,
Você vê, mas não enxerga,
Pois está inundada de egoísmo
E tem medo do pobre coitado,
Aquele menino, antes indefeso,
Mas que precisa sobreviver, como?
A solução é a sua bolsa
Daquela grife de Milão,
A mãozinha segurando a arma
Para com ela comprar seu pão,
Mas eu não posso reclamar
Nem você e nem a moça,
Pois a criança que era indefesa
Não tinha outra solução,
E teve que usar a arma
Que colocamos em sua mão.
Mas aquele homem também luta
Para ser habitante de sua cidade,
Ser um cidadão brasileiro,
Conquistar sua dignidade.
Contudo, seu grito é abafado,
Ou mesmo ignorado,
Por aqueles que têm o poder
E podem falar mais alto.
O menino que você repudiou
E a sociedade deixou de lado,
Hoje ele te roubou,
Mas quem é o verdadeiro culpado?
P.S.: Dedico este poema a todos os que, como eu, são apaixonados pela arte da poesia. Poesia é amor, é dor, é esperença, é revolta, é lembrança, é nostalgia, é tristeza e alegria. Poesia é isso tudo. "Ilumina a noite. Incendeia o dia."...
Grande abraço a todos!
Nossa, muito bem escrito. Também adoro poesia, ainda mais essa que remete à sociedade.
ResponderExcluirParabéns!
http://cantodoescritor.blogspot.com/
Maravilha de poesia !!
ResponderExcluirComo escreves bem, parabéns !! Puro retrato da sociedade ...
Helô
Além de ser poesia e música do Belchior, o tema é instigante, rico. Que é a condição das pessoas que vivem nas favelas, que não têm uma estrutura favorável nem de ensino, e muito menos de saúde.
ResponderExcluirGostei.
Beijos.
E você aproveitando para exercitar mais uma vez a tua poesia latente. Delícia, isso, moço poeta ;-))
ResponderExcluirROBERTO NEY
ResponderExcluirAgradeço-Lhe as suas sempre amáveis palavras!
Sobre as Suas biografias horizontais escrevi-Lhe aqui há tempos uma carta que, por impossibilidade de conseguir editar no Seu blogue, aqui mesmo a deixei.
Chama-se ela:
Carta Para Além Do Atlântico e tem data já do mês de Maio, é só ir ao índice.
Um Abraço,
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 30 de Maio de 2009
ROBERTO NEY
ResponderExcluirQuando escrevi aqui mesmo, referia-me ao meu blogue e também ao seu índice.
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 30 de Maio de 2009
ROBERTO NEY
ResponderExcluirJá li, fiquei muito sensibilizado, mas continuo sem conseguir postar no Seu blogue, muito obrigado!
Um grande abraço e se quiser seguir nossos diálogos venha sempre ver o que se vai passando na caixa de comentários de A Música das Palavras.
Sempre disponível
Jaime Latino Ferreira
Estoril, 31 de Maio de 2009
"Mas quem é o verdadeiro culpado?"
ResponderExcluirBoa pergunta, Roberto!
Abraços!
Belo poema!
ResponderExcluirQuem é o verdadeiro culpado?! Bom... acho que seu poema já respondeu...
Até!
=]
Fantástico!!! Concordo com vc!!
ResponderExcluirUm abraço!!!
Aff, devo concordar é uma bela poesia, mas infelizmente de um retrato triste da sociedade atual...
ResponderExcluirFique com Deus, menino Roberto Ney.
Um abraço.