Todo indivíduo possui um potencial criador incomensurável. Um vórtice de idéias e ideais que se misturam ao acaso. Letras, palavras, sons e silêncio. Escrever é compartilhar sentimentos. Então, façamos desse vórtice um devorador de emoções. Escrevam e compartilhem.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Poema do desencontro - Sobre o amor e outras guerras.
O que se via era uma pausa,
Um sol que alumiava o quarto tal qual a luz acesa,
Procuravas uma cachaça para encher teu copo vazio,
Encontravas um bordel para curar tua tristeza.
E era triste ver o moço debruçado no vão dos teus nãos,
Nos abraços apertados que se tornavam poeira,
Na procura inesperada dos teus momentos de solidão,
Nos atalhos percorridos até tua boca tão alheia.
Houve um bom encontro, lá bem longe, quase nem se lembra.
Naquele tempo em que havia poesia
Mas ninguém desvelava o poema.
E a prosa sem rima não resistiu ao desejo de entender,
O que não pode ser entendido
Mas sentido, apenas.
Meus caros leitores, agradeço imensamente os pedidos para que eu reativasse o Blog e dessa vez voltei para ficar. Espero que continuem a vir e, já sabem, podem entrar sem bater. A casa é também vossa.
Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Até
Vou dar um tempo,
Aportar em outro cais,
Embriagar-me de madrugada,
Adeus, jamais.
Vou dançar em outro baile,
Andar pela tarde,
De samba em samba,
Sambar a saudade.
E quem sabe amanhã
Essa manha que afasta,
Venha desnuda
Com a boca vermelha,
Com o gosto do beijo,
Carnuda.
E esse brilho do olhar
Ao olhar para o nada,
Voltará a brilhar,
Alvorada.
Deixo-te agora,
Sem aceno ou veneno,
Sem palavras ensaiadas,
Sem sereno.
Deixo-te ao mundo que sempre foi teu.
Sem mais.
Sem ais.
Sem eu.
Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Encontro in (esperado)
Olhares que se cruzaram entre os feixes de luz,
Um lance, um terremoto, um encontro.
E entre relutâncias e reticências anônimas,
As bocas se fundiram em meio à multidão.
Foi um devastamento de pudores e continências,
Um arrebatamento que preenche todo o vazio.
Foi carne exposta, peito aberto e sorriso largo,
Foi língua nua,
Foi lar e rua,
Foi cio.
Foi a entrega inesperada e esperada.
Foi o tapa na cara de um passado frio.
Foi furor e fervor e paz desarmada.
Foi delírio e desejo e o medo vil.
Um encontro de dois que em tantos se fez.
Um encanto de faz de conta.
Um poema moderno e careta,
Uma carta na mesa,
Um labirinto de dúvidas,
Uma certeza.
( Uma homenagem aos encontros in(esperados) pela vida afora...)
Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço!
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Faz chover
São palavras tangentes,
Vez em quando miram certo,
Marcadamente inesperadas,
Tal qual teu olhar deserto
Repleto de oásis.
São sutis devaneios,
Vez em quando acertam em cheio,
Mas se perdem no vão das mãos
Quando não se tocam.
São fragmentos de memórias,
Tinta fresca que não seca,
E marca minha roupa com suas cores.
Faz chover nesse olhar.
Mostra as linhas inequívocas das mãos.
Antes que a tinta seque.
Meus queridos leitores e minhas queridas leitoras. Mil perdões pelo sumiço do Blog. Foram dias de elocubrações intensas e de devaneios imprecisos. Agora estou pronto para retomar o curso. Obrigado por continuarem acompanhando o Blog e, dessa vez, volto para ficar. Sejam bem vindos e, claro, podem entrar sem bater. Vamos fazer esse vórtice de palavras girar novamente.
Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço.
sábado, 26 de novembro de 2011
Fugitivo

E não quero nada além
Do que preciso ou mereço,
Ser teu e não ser de ninguém,
Não te ter aqui em meu endereço.
Gosto de teus momentos marcantes
Querendo decifrar os meus segredos,
Mas me basta tua presença efêmera,
Teu adeus e o recomeço.
E não mais olhares nem meias palavras,
Nem abraços nas madrugadas frias,
Quero cigarros e portas abertas,
Encontros incertos e camas vazias.
Quero a incerteza do desencontro,
Sem beijos molhados, sem mágoas, sem prantos,
Sem conversas prolongadas e desajustadas,
Não quero mais nada,
Sem amor, sem encanto.
P.S. Esse poema já foi meu. Hoje, não mais.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Nudez
Nasci nu,
Mas a vida me vestiu de um jeito estranho,
Roupas pálidas com cortes imperfeitos,
Capas bordadas de um colorido sem tamanho.
Estilista excêntrica e deselegante,
Me despe com a pressa de um amante,
E me cobre depressa com outras possibilidades.
Essa vida que me ilumina com os holofotes da noite,
É a mesma que me esconde nas esquinas das cidades.
Cresci nu,
Mas tive que cobrir meu corpo com imagens,
Modelos que muitas vezes não me serviam,
Colares tais quais coleiras que me enforcavam.
Tive de usar sapatos apertados e alguns pés de palhaço,
Tive que fantasiar meus ideais para não assustar os que olhavam,
Por diversas vezes cheguei a ser coadjuvante do meu próprio espetáculo,
Só para não escancarar minha nudez.
Mas o tempo foi me ensinando
Que eu só devo vestir o que me faz bem,
Que os olhares oblíquos sempre me perseguirão,
E eu não quero nada além do que me convém.
Hoje visto roupas próprias, sem colares e sem disfarces,
Trago sempre a face nua,
E já não perco tanto tempo escolhendo o que usar,
Pois se eles oprimem minha nudez,
Também minhas vestes irão limitar.
Deixo que o vento siga seu curso,
Morrerei nu.
Mas a vida me vestiu de um jeito estranho,
Roupas pálidas com cortes imperfeitos,
Capas bordadas de um colorido sem tamanho.
Estilista excêntrica e deselegante,
Me despe com a pressa de um amante,
E me cobre depressa com outras possibilidades.
Essa vida que me ilumina com os holofotes da noite,
É a mesma que me esconde nas esquinas das cidades.
Cresci nu,
Mas tive que cobrir meu corpo com imagens,
Modelos que muitas vezes não me serviam,
Colares tais quais coleiras que me enforcavam.
Tive de usar sapatos apertados e alguns pés de palhaço,
Tive que fantasiar meus ideais para não assustar os que olhavam,
Por diversas vezes cheguei a ser coadjuvante do meu próprio espetáculo,
Só para não escancarar minha nudez.
Mas o tempo foi me ensinando
Que eu só devo vestir o que me faz bem,
Que os olhares oblíquos sempre me perseguirão,
E eu não quero nada além do que me convém.
Hoje visto roupas próprias, sem colares e sem disfarces,
Trago sempre a face nua,
E já não perco tanto tempo escolhendo o que usar,
Pois se eles oprimem minha nudez,
Também minhas vestes irão limitar.
Deixo que o vento siga seu curso,
Morrerei nu.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Signos
Os olhares nunca se cruzaram,
Mas os dedos deixam tudo às claras,
A expectativa do encontro,
Um pouco de vinho e algumas palavras.
Um oceano inteiro de distâncias,
Cada qual com suas reentrâncias e suas rotinas,
Unidos em silêncio por uma rede invisível,
Desbravadores do mundo e de suas esquinas.
Palavras lançadas ao sabor do vento,
Na esperança de levá-las até os atentos ouvidos,
Cada frase desvela dois livros abertos,
Um convite ao mistério do desconhecido.
Diferenças que saltam aos olhos desencontrados,
E a afinidade que aflora por entre os iguais,
Elocubrações que transpassam os limites das horas,
E o desejo que ultrapassa as previsões zodiacais.
Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço.
P.S.: essas palavras foram lançadas para o outro lado do atlântico. Pode pegar, elas são suas...
domingo, 14 de agosto de 2011
Juris Tantum
Gravatas de seda,
Caretas, calhordas,
Retóricas obesas,
Altezas hipócritas,
Pedestais de sapatos,
De bolsas, de carros,
Opulenta riqueza,
Sorrisos forçados.
Línguas amoladas,
Cretinas, nefastas,
Barrigas protuberantes,
Maus amantes,
Mal amadas.
Dentes entreabertos,
Gulosos, perversos,
Olhares de desprezo,
Bocas moles,
Dedos tesos.
Despachos de ternos,
Profetas da descoberta,
Protagonistas do inferno,
Reis da merda.
P.S.: Essa é uma singela homenagem àqueles que não fazem jus a essa causa tão nobre que é lutar pela justiça. Os ilustres homenageados são ilibados juristas que circulam pelos pretórios e tribunas por aí afora. São colegas de outrem. Meus não.
Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
A Loba - Sobre mulheres e outros labirintos

Amante da noite e dos mistérios da rua,
Abraça sem pudores para aquecer a ninhada,
Astuta e destemida para as lutas do dia,
Perspicaz para enfrentar as feras da madrugada.
Tem a ternura da mãe que se empresta ao filho,
E o sangue fervente dos que têm a coragem,
Tem os olhos e as danças de uma fera no cio,
Intimida os pequenos com seu instinto selvagem.
Com o dom protetor de quem lambre a cria,
Ela arrasta as tristezas por onde passa,
Estrutura seu bando com tamanha harmonia,
Não precisa de macho, pois também vai à caça.
Corre nua pelas matas, percorre novos caminhos,
Já não teme seus moinhos e é dona de suas palavras,
Tem na pele as cicatrizes dos que amam sem medidas,
Vai curando as feridas e desvendando suas ciladas.
À Carolina Pimentel... que de tão grande, não cabe em um poema, mas que de tão intensa, tantos poemas lhe cabem.
Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço.
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terça-feira, 19 de julho de 2011
Curvas - Sobre mulheres e outros labirintos.

A luz intensa que aturdia os corpos,
A penumbra marcante que encobria os pudores,
E lá elas estavam.
Em meio a olhares atônitos e libidinosos,
Entre pernas e mãos e linguas e lábios,
Um convite para o universo indefinido da mulher.
Eram movimentos de serpente ao dar o bote certeiro,
Eram desejos que explodiam como um vulcão traiçoeiro.
Os nãos se tornaram obsoletos
E os sins romperam os medos,
Foram bundas e peitos e coxas e dedos.
Cada qual com suas reentrâncias e suas aspas,
Cada uma com seus avessos e com suas ciladas.
Eram bocas abertas contemplando a paisagem,
Os movimentos ariscos de uma gata selvagem.
Eram homens disformes diante de tantas curvas,
Tantos beijos que deixaram as palavras mudas.
Enfim... just for you!
Beijo pra quem é de beijo.
Abraço pra quem é de abraço!
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